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"A Psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor"

Sigmund Freud

Sobre 

Simone Bosich de Souza

Psicóloga Clínica registrada no Conselho Regional de Psicologia de Minas Gerais sob o número 04/71290.

Graduada na Universidade Salgado de Oliveira, Juiz de Fora/MG

Minha linha teórica é a Psicanálise e independente de abordagens, meu trabalho está pautado na ética, na escuta, no acolhimento e reconhecendo que cada sujeito é único e traz consigo uma história e um conjunto de experiências que fazem parte da sua constituição. 

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Sobre 

Depressão

        

   A depressão é uma condição complexa que pode ser causada por uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais, pois somos seres biopsicossociais.

   O saber da medicina sobre a depressão, muitas vezes visa abarcar os sintomas psíquicos e corporais descritos no DSM-5, incluindo antidepressivos e ansiolídicos para a cura dos sintomas, o saber médico visa eliminar o sintoma através dos medicamentos e a psicanálise visa para além da medicação, escutar a história e o sofrimento do sujeito, qual a sua posição subjetiva diante do quadro depressivo, escutar o sujeito através da regra fundamental da psicanálise que é a associação livre.

 

   O sofrimento humano precisa passar pela fala, pela palavra, dizer sobre ele para um outro que o escute, que não o julgue, que não o recrimine, que escute o seu sofrimento e a sua história, para que ao longo do processo analítico, o sujeito passe a se escutar, a se fazer perguntas e não somente procurar por respostas!

   É importante ressaltar, que muitos analistas, não discordam ou recriminam o uso de medicação psiquiátrica para a depressão, pois muitas vezes a medicação é fundamental em um momento específico para que o sujeito tenha efeitos positivos neurologicamente e consequentemente no corpo, podendo aliviar os sintomas que talvez o impeça de continuar em movimento nas suas atividades diárias, até mesmo para continuarem em um processo de análise ou psicoterapia se assim estiver em percurso, no entanto, é preciso avaliar cada caso com ética e profissionalismo, para que a medicação não seja usada de maneira desproporcional e de forma banalizada como se fosse possível uma cura milagrosa.

   Porém, somente com o uso das medicações psiquiátricas, o sofrimento psíquico e os sintomas podem ser camuflados e não tratados, o sofrimento precisa ser "escutado" e para isso, a pessoa em sofrimento pode buscar por uma ajuda especializada de um psicólogo ou psicanalista.

   Os sintomas para o saber médico tem conceitos diferentes do saber da psicanálise.

   Tanto o tratamento pelo saber médico ou pela psicanálise, ambos oferecem sentidos valiosos sobre suas origens, manifestações e tratamentos, embora com enfoques distintos.

 

   A depressão pode surgir em qualquer momento da vida do sujeito, como resultado de conflitos psíquicos profundos, muitas vezes relacionados a experiências traumáticas ou perdas significativas. Há diversas causas para a depressão e por isso, prefiro dizer que existem depressões, pois a depressão é subjetiva, cada sujeito vive uma experiência única e não universal, a escuta do analista é no um a um e não de forma generalizada, como existe nos protocolos do DSM-5.

   Os sintomas da depressão são diversos.

   Podem ser:

   Insônia ou hipersonia

   Ansiedade extrema

   Choro fácil

   Irritabilidade

   Tristeza sem razão consciente e objetiva

   Desânimo nas atividades cotidianas

   Desmotivação para lazer ou trabalho

   Pensamento suicida

   Isolamento social e outros...

    É importante ressaltar, que muitas pessoas podem estar depressivas e não estão necessariamente isoladas socialmente, muitas vezes, estão vivendo cotidianamente em vários contextos, sem apresentar sintomas aparentes.

 

   Mas vale ressaltar, que a depressão não tem somente um sintoma, geralmente são vários sintomas e com tempo prolongado, mas o mais importante para além dos sintomas, é escutar o sujeito em sofrimento e a diminuição ou exclusão do sintomas, serão efeitos dos desdobramentos do tratamento analítico que acontece pelo ato da fala, da palavra...

 

    A psicanálise tende a focar nas dinâmicas internas, nos conflitos inconscientes, na história de vida do sujeito e nas questões de desenvolvimento emocional. Contudo, ambas as perspectivas do saber médico e do saber da psicanálise, reconhecem a complexidade da depressão, considerando tanto os aspectos emocionais, sociais, quanto os biológicos do paciente.

   Se você está sofrendo com a depressão, busque ajuda especializada!

Ansiedade

   A ansiedade é uma das condições psíquicas mais comuns e complexas, que pode ser analisada sob diferentes perspectivas. 

   Vamos tentar entender um pouco sobre o que é natural na ansiedade e como ela pode se apresentar em grau severo, muitas vezes impedindo o sujeito de se movimentar em suas rotinas diárias, ou até mesmo se paralisando diante da expectativa de um evento futuro.

   Pelo viés psicanalítico, podemos dizer que a ansiedade é um sinal de conflitos inconscientes que não conseguem ser resolvidos de maneira adaptativa.

   Para Freud, a ansiedade é uma resposta a um medo ou a uma ameaça interna, não necessariamente objetiva, mas ligada a impulsos ou desejos reprimidos que entram em conflito.

   No texto, inibição, sintoma e angústia ou (ansiedade, em algumas traduções), Freud aponta que a ansiedade surgiu originalmente como uma reação a um estado de perigo e é reproduzida sempre que um estado dessa espécie se repete” (FREUD, 1926, p. 157).

   A ansiedade neurótica está mais ligada a fantasias internas, conflitos inconscientes em que o ego percebe esses impulsos, geralmente relacionados a impulsos que não podem ser expressos sem resultar em punições ou consequências internas, como a culpa, por exemplo, e nesse sentido, a ansiedade funciona como um "alerta" de que há algo no inconsciente que precisa ser processado.

   Porém, a ansiedade também pode estar relacionada a ameaças externas, onde o sujeito pensa muito no futuro, como será uma determinada situação que ele precisa decidir, resolver e fazer escolhas, também pode ser por eventos traumáticos em situações de brigas, violência, situações de perigos reais e sente muito medo do enfrentamento.

    Em outros contextos, a ansiedade pode surgir, por insegurança de iniciar e concluir alguma tarefa, por complexo de inferioridade ou incapacidade e até mesmo por um ideal de perfeição que não existe.

   A psicanálise também aborda a ansiedade como um sintoma de uma dinâmica psíquica mais ampla que pode vir acompanhada de crises de angústia.

   É muito importante que o sujeito busque ajuda psicológica ou psiquiátrica, caso seja necessário e independente da área do saber, seja por um psicólogo, analista ou um psiquiatra, é importante ressaltar que com o tratamento, é possível identificar os gatilhos que o levam a ter uma crise de ansiedade, pois o corpo fala e para além dos sintomas no corpo, os conflitos internos que geram a ansiedade, precisam ser falados e escutados.

   No campo de algumas abordagens da psicologia e da psiquiatria, a ansiedade é vista sob uma ótica mais biológica e comportamental.

   Com tudo, é preciso ter uma cota de ansiedade, para podermos fazer movimentos frente aquilo que buscamos realizar no dia a dia.

   O que não é saudável é quando a ansiedade a  nível extremo, seja capaz de nos paralisar, impedir que nós possamos realizar tarefas simples do dia a dia, que nos impeça de buscar aquilo que temos como objetivo de vida pessoal ou profissional.

   A ansiedade em grau mais severo, pode fazer com que apareça sintomas no corpo, como sudorese, agitação, taquicardia, insônia, fome excessiva e em alguns quadros, fazer com que o sujeito desenvolva alguns tipos de compulsões e  também pode afetar a memória cognitiva como falta de concentração, esquecimentos e etc.

   Em resumo, a ansiedade é uma condição multifacetada, que pode ser vista de diferentes formas dependendo da área do saber.

   O importante é que, independentemente de qual área do saber, seja médico ou psicanalítico, o tratamento adequado pode proporcionar alívio significativo para os sujeitos afetados, permitindo que lidem melhor com seus sintomas e até mesmo identificar o que está por detrás dos sintomas que leva o sujeito ao sofrimento.

Luto

   O luto é um processo emocional complexo que ocorre em resposta à perda de um objeto, (objeto se refere a pessoas, coisas, ideiais, profissão...) ou seja, a morte de um ente querido ou de um animal de estimação, o término de um relacionamento, a perda de um emprego e até mesmo a perda de ideais de nós mesmos, dos pais, cônjuges, familiares, de amizades, de profissão e etc…

   O luto pode se manifestar de diferentes maneiras em cada sujeito e isso depende da intensidade e da dinâmica do vínculo entre o sujeito e objeto.

   O conceito de luto envolve várias etapas e são elas:

   Negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Essas etapas não são necessariamente lineares; as pessoas podem passar por elas em ordens diferentes ou até mesmo revisitar algumas delas ao longo do tempo.

   Negação: Inicialmente, a pessoa pode ter dificuldade em aceitar a realidade da perda. Essa fase pode servir como um mecanismo de defesa, permitindo que a pessoa processe a dor em seu próprio ritmo.

   Raiva: À medida que a realidade se torna mais clara, é comum sentir raiva. Essa raiva pode ser direcionada a si mesmo, a outras pessoas ou até mesmo à pessoa que foi perdida.

   Barganha: Nesta fase, a pessoa pode tentar negociar com a situação, pensando em como poderia ter agido de maneira diferente para evitar a perda. É uma forma de lidar com a impotência que a perda traz.

   Depressão: A tristeza profunda é uma parte natural do luto. A pessoa pode se sentir isolada e desmotivada, refletindo sobre a perda e o que ela significa para sua vida, nesta fase, a libido de quem vivencia o luto não fica direcionada para o mundo externo e sim, para si mesma.

   Aceitação: Finalmente, a aceitação não significa que a dor desapareceu, mas sim que a pessoa começa a elaboração da falta e encontra uma maneira de integrar a perda em sua vida.

   É importante ressaltar que o luto é uma experiência única para cada sujeito.

   Não existe um "caminho certo" para passar por ele, e o tempo que cada um leva para passar pelo luto, pode variar amplamente.

   Além disso, o apoio de amigos, familiares ou profissionais especializados, pode ser fundamental para ajudar no processo do luto.

 

   É preciso se permitir a sentir o luto, é preciso falar da perda, das dores que o luto traz, da saudade e de todos os sentimentos envolvidos na dinâmica que existia entre o sujeito e o objeto perdido, é preciso falar para alguém que o escute, que o acolha sem críticas e sem julgamentos e que respeite a sua dor e o seu sofrimento.

© 2025 - Simone Bosich de Souza.

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